Core Web Vitals: o que o Google mede no seu site e por que isso mexe nas vendas

LCP, INP e CLS explicados: os limites que o Google considera bons, como medir e o que um teste A/B da Rakuten mostrou sobre conversão.

Cronômetro de aço sobre metal escovado com um rastro de luz verde

Você já abriu um site no celular, foi tocar num botão e a página pulou bem na hora? Ou esperou a imagem principal aparecer e desistiu antes? É exatamente isso que as Core Web Vitals medem. São três números que o Google usa para dizer se a experiência de uma página é boa, e eles têm relação direta com quanta gente fica e compra.

As três métricas

O Google define as metas assim na documentação do web.dev:

Métrica O que mede Meta “boa”
LCP (Largest Contentful Paint) Quanto tempo o maior elemento visível (título, foto principal) leva para aparecer até 2,5 segundos
INP (Interaction to Next Paint) Quanto a página demora para reagir quando a pessoa toca ou clica até 200 milissegundos
CLS (Cumulative Layout Shift) Quanto o layout “pula” sem aviso enquanto a pessoa usa a página até 0,1

A página só passa se atingir as três metas no percentil 75 das visitas, separando celular e desktop. Ou seja, não basta o site ser rápido no seu computador. Três de cada quatro visitantes reais precisam ter essa experiência.

O INP é o mais novo. Ele substituiu o antigo FID e virou métrica estável em 2024, justamente porque mede a resposta a todas as interações, não só à primeira.

Isso afeta o Google?

Afeta, mas não do jeito que muita gente vende. A própria Google Search Central recomenda “fortemente” ter boas Core Web Vitals e diz que elas se alinham com o que os sistemas de classificação querem recompensar. Só que conteúdo relevante continua sendo o principal. Um site rápido e vazio não passa na frente de um site lento que responde melhor à pergunta.

Minha leitura prática: velocidade não salva conteúdo ruim, mas pode ser o desempate. E desempate em SEO vale dinheiro.

Onde o dinheiro aparece

O argumento mais forte não é o Google, é o cliente. A Rakuten 24, loja online do grupo Rakuten no Japão, fez um teste A/B por um mês: metade das visitas foi para uma página otimizada para Core Web Vitals e metade para a original. A única diferença entre as duas era o desempenho. O resultado, publicado no estudo de caso do web.dev:

  • +33,13% na taxa de conversão
  • +53,37% na receita por visitante
  • +15,20% no valor médio do pedido
  • −35,12% na taxa de saída

Outros casos reunidos pelo Google vão na mesma direção. A Vodafone Itália melhorou o LCP em 31% e vendeu 8% mais. A Tokopedia melhorou o LCP em 55% e viu sessões 23% mais longas.

Vale o aviso: são números divulgados pelas próprias empresas, e o seu resultado depende do seu público. Mas a direção é consistente.

Como medir sem se enganar

As Core Web Vitals são, antes de tudo, métricas de campo, coletadas de visitas reais. Ferramentas de laboratório como o Lighthouse ajudam a encontrar problemas, mas não substituem os dados reais. O próprio web.dev lembra que o Lighthouse nem consegue medir o INP, porque não existe uma pessoa clicando durante o teste.

Um roteiro simples:

  1. PageSpeed Insights com o endereço do seu site. Se houver dados de usuários reais (seção “Descubra o que seus usuários estão enfrentando”), olhe essa parte primeiro.
  2. Google Search Console, relatório “Core Web Vitals”, para ver quais páginas estão ruins em escala.
  3. Só depois, o Lighthouse para investigar a causa de cada problema.

Causas comuns

  • LCP alto: imagem principal pesada, em formato antigo, sem dimensão definida ou carregada tarde. Fonte de texto que bloqueia a renderização.
  • INP alto: JavaScript demais rodando de uma vez, normalmente de plugins, chat de terceiros e scripts de anúncio.
  • CLS alto: imagens e banners sem espaço reservado, fonte que troca de tamanho quando carrega, aviso de cookies que empurra o conteúdo.

Neste site, por exemplo, medi em teste local LCP de cerca de 1 segundo e CLS zero em simulação de celular com rede 4G e processador quatro vezes mais lento. Não tem mágica: imagens em formatos modernos, pouco JavaScript e espaço reservado para tudo que carrega depois.

Se o seu site está no vermelho, a imagem principal e os scripts de terceiros são um bom ponto de partida.

Fontes

  1. Web Vitals. web.dev (Google). consultado em outubro de 2026.
  2. Understanding Core Web Vitals and Google search results. Google Search Central. consultado em outubro de 2026.
  3. How Rakuten 24's investment in Core Web Vitals increased revenue per visitor by 53.37% and conversion rate by 33.13%. web.dev (Google), atualizado em 24/08/2022. consultado em outubro de 2026.
  4. The business impact of Core Web Vitals. web.dev (Google), atualizado em 01/09/2021. consultado em outubro de 2026.

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